Por que as portas se fecham ?

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Uma das frases usadas para busca no meu blog ontem- segundo o wordpress- foi: “por que as portas se fecham”.

Fiquei pensando quem digitou a esmo na internet e acabou chegando aqui.

Imaginei um monte de possibilidades : – Alguem que, de repente, ficou sabendo que aquele plano deu errado e, sem saber onde procurar respostas, resolveu digitá-la no google.

– Talvez a vontade de encontrar uma explicação para encaminhar à alguém que está precisando.

– Quem sabe uma pessoa navegando durante a madrugada, pensando em tudo o que deu errado, teve a idéia de seguir as pistas aleatórias que a internet iria dar.

Provavelmente nunca vou saber quem chegou aqui procurando saber “porque as portas se fecham” e, muito menos, se encontrou alguma resposta.

Primeiro porque não tenho explicações satisfatórias para os imprevistos da vida.

Como explicar para o sujeito que perde emprego, família e oportunidades que essas coisas acontecem ?

Dizer a uma mãe que acaba de descobrir que seu filho pequeno tem uma grave doença, que é preciso ter força, é desconsiderar a dor humana, especialmente potencializada nos corações das mães.

Convencer quem seguia feliz pela estrada da vida e teve que interromper a viagem porque o carro quebrou, que logo o mecânico virá, é alimentar uma esperança que talvez se fruste.

Para quem chegou aqui procurando saber “por que as portas se fecham” vou logo adiantando: não tenho respostas.

Carma, provação, castigo, lição, plano, aleatoriedade…não me convencem, então, não quero te convencer de nenhuma dessas possibilidades.

A vida e seus acontecimentos tem muito mais mistérios do que posso decifrar mas, apesar disso, tenho notado algumas coisas e, talvez isso, possa compartilhar :

– Nunca vi uma porta se fechar, sem que outra se abra. Quando percebo que cheguei no fim de determinada estrada, olho para os lados e sempre vejo outros caminhos. Aí entendo que só os encontrei porque cheguei no fim.

– Por mais doloridas que as situações possam ser, nunca vi nenhuma maior do que aquela que intimamente possamos suportar. Ao me imaginar nela antes que acontecesse, sentia que não iria dar, mas aí, sem saber direito por que, no meio do fogo, me senti estranhamente forte. Claro que dói mas como explicar essa estranha condição que, apesar do choro, suporta ? Na tormenta, consolado e, quando achava que não daria mais, simplesmente deu.

– Sempre que portas se fecham, sinto que fiquei mais forte. Aprendi que se souber extrair força da fraqueza, começo a lidar com certo tipo de poder que só existe quando me esvazio de qualquer complexo de Sansão.

– Apesar de perder amigos, quando as portas se fecham, tenho chance de reconhecer quem realmente está comigo e são eles que quero perto quando novas portas se abrirem.

– É nessa hora que estruturas aparentemente imutáveis em mim se quebram e começo a repensar quem sou. Que grande chance para melhorar !

– Quando estou quebrado, sinto que, se não dá mais para perder, o próximo passo só pode ser na direção da reconstrução, e então me refaço.

– Se antes eu tendia a me considerar melhor do que sou, é nessa hora que sou confrontado com minha humanidade e nela reencontro meu caminho.

– Aprendo a deixar de confiar nas aparências e naquilo que me dá sensação de força, afinal de contas, de fraqueza em fraqueza sou forçado a reconhecer o que de fato sou.

– Relativizo os esteriótipos de poder.

– Quando as portas se fecham, fico triste, mal humarado, desesperançoso, mas, é dificil explicar a razão de, no dia seguinte, ou talvez dois ou três dias depois, sempre acordar renovado, cheio de inexplicáveis esperanças e principio de idéias brotando no coração.

Na fraqueza aprendo a confiar e, sem minhas armas, me olho no espelho e reconheço que minha maior virtude é ser-humano que é.

Para quem veio em buscas de respostas, lamento dizer, mas, não as tenho.

O que estranhamente sinto é que, quando as portas se fecham, outras se abrem , cheias de chances e avisos que parecem vir do céu para me alertar e deixar bem claro que, se eu acreditar, amanhã tudo vai ser diferente.

É só o que posso dizer.