O nevoeiro.

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Ontem assisti ao filme “O Nevoeiro”.

O enredo é bom, o clima de suspense faz com que o espectador fique atento, torcendo pelos protagonistas e, esperando pelo que poderá acontecer.

A história acontece, quase que o tempo todo, dentro de um super mercado, onde habitantes de uma pequena cidade dos Estados Unidos ficam presos após a chegada de um denso, repentino e misterioso nevoeiro que envolve tudo lá fora.

Depois que um dos moradores chega apavorado e ensanguentado no estabelecimento, todos percebem que, muito mais do que falta de visibilidade, o nevoeiro esconde algo sobrenatural.

A medida em que tentam entender a situação, conflitos internos demonstram o quanto dependemos da normalidade para permanecermos estáveis.

Foi isso que mais me chamou a atenção.

Quando as coisas saem do lugar, colocamos para fora aquilo que no dia a dia escondemos, e , aos poucos, todos começam a se revelar.

Se costumamos nos proteger sob uma casca, fica evidente que, qualquer sinal de instabilidade é suficiente para transformar o pacato em violento e o fundamentalisma em mau.

O fato é que nem sempre sabemos quem somos.

Situações extremas também são reveladoras quando acontecem na outra ponta, quando tudo parecer ir bem.

Já ouviu a história de que é só dando dinheiro e poder para alguém que esse se revelará?

Foram várias as vezes que presenciei essa mutação de gente que parecia boa e tranquila, em pequenos ditadores inseguros pelo simples fato de ter subido de cargo.

É por isso que devemos buscar o equilibrio.

Saber que a grande alegria da vida não está na riqueza ou sucesso, assim como, na dor, nem tudo está perdido é o que nos coloca no centro, onde tudo é mais estável e seguro.

Mais do que nunca, a sociedade nos oferece pseudo opções de felicidade e, em busca delas, as pessoas se decepcionam ao saber que não era nada daquilo.

Tudo o que você precisa está em você.

O desafio é encontrar essa sintonia fina que, ao mesmo tempo em que te permite viver no mundo e usufruir do que é bom, não torna você parte de nada que é perecivel porque, até o corpo acaba.

Pense nisso, até que ponto a imagem que você reconhece é sua mesmo ?

Saber o valor das coisas faz toda a diferença.

Quanto ao filme , se você pretende assisti-lo não continue lendo.

Saí do cinema pesado, o fim é trágico, longe de ser feliz. Se não gosta de filmes assim nem vá assistir. Caso não se importe, ao assistir, repare em como as relações vão se deteriorando e o quando situações extremas podem revelar em nós, monstros que nem imaginávamos existir.