Filhos.

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Semana passada acompanhei pela TV Câmara um debate sobre um projeto de lei que pretende proibir publicidade em programas infantis pela TV.

Os apresentadores também não poderiam veicular suas imagens aos produtos a não ser que fossem educativos.

No debate estavam deputados, representantes do Conar e de entidades ligadas a defesa da criança.

É claro que, como se imagina, o assunto rendeu polêmica e discussões acaloradas.

Se por um lado os defensores do projeto diziam que as crianças precisam de proteção contra possíveis excessos cometidos pela publicidade, por outro lado, os contrários , diziam que não adianta demonizar a publicidade enquanto alguns pais simplesmente largam seus filhos em frente a TV, deixando para os programas a função de educar.

Ainda ontem postei aqui no blog o comentário sobre consciência e citava o ouvinte que pedia mais restrições do rodízio enquanto não abria mão de sair com seu carro.

Se nós adultos estamos super expostos a publicidade, imagine a criança?

O fato é que, para amenizar esse impacto, muito mais do que defender novas leis, seria eficaz incentivar a mudança de comportamento dos pais.

Meu filho tem cinco anos e não gosta muito de TV.

As vezes assiste alguns desenhos de manhã mas não troca qualquer brincadeira a ficar sentado em frente a televisão.

Aqui em casa temos mais de 200 DVDs e eles tem prioridade em relação a programação de TV. Brincar com o Flavinho e dar atenção as necessidades dele, é muito mais importante do que ver novela ou assistir futebol.

Antes de buscar na televisão, as crianças buscam nos pais suas referências e, só desistem disso quando os pais não dão.

Simplesmente proibir a publicidade na TV infantil não resolveria o problema.

Mais uma vez, fica claro que temos dificuldades em assumir nossas responsabilidades diante da possibilidade de, simplesmente, impor.

Quanto aos abusos cometidos, já existe lei e orgão para fiscalizar, porque , ao invés de falar em novas leis, não se cumpre a atual ?

Achamos aquela menininha do SBT bonitinha, levamos os filhos as agências de “talentos” infantis, ensinamos dancinha do Créu, incentivamos o consumo e, depois, pedimos mais leis . Como se a falta delas fosse o problema.

Criar um filho é uma enorme responsabilidade.

Certamente eles viverão em um mundo muito mais difícil e contrastante que o nosso.

Tempos de relativização, onde os recursos naturais serão escassos e a aparência ainda mais valorizada.

Tempos de imagem !

Sem consciência será dificil para eles.

Se você tem filhos, antes de pedir leis, cuide dele.

Amor é tudo o que ele precisa.

Esteja perto, seja confidente sem ser permissivo e rigoroso sem ser ríspido. Seja amigo e deixe seu filho confiar em você.

Sem confiança não se estabelece relação.

Saiba que você é o exemplo e tudo o que faz de bom ou ruim, voluntaria ou involuntariamente é observado por seu filho que lá na frente, tenderá a repetir certos padrões.- sejam os bons ou os maus.

Crie em você bons hábitos porque ele vai seguir.

Seja calmo e prudente, que ele também será.

Lembre-se que cabe a você – e não a escola, babá ou TV- cuidar e dar o exemplo.

Para que, no dia em que não estivermos mais aqui, ele saiba de onde veio. No dia em que estiver tudo confuso, lembrar-se do que você faria e que isso lhe de caminhos.

Para que ele não se sinta julgado pelo mundo porque, antes,  já tem a certeza da absolvição que se conquista pela via do amor.

No amor não existem traumas.

Que a proteção não seja tolhedora negando a seu filho a possibilidade de se desenvolver. Seguindo o caminho natural, ele viverá a maior parte da vida sem seus cuidados.

Dê a ele liberdade para fazer suas próprias escolhas.

Que desde cedo possa saber o realmente importa e carregue no coração aquilo que os homens gostam de dizer que são.

Que ele não diga pois sabe que o importante é ser.

Que ele não precise de re-ligião (re ligare) pois já está ligado em tudo aquilo que é.

Que o templo seja ele e o EU sou, nele.

Que tenha poesia nos olhos e nunca se sinta confortável com toga de juiz da humanidade porque sabe que, antes dos outros, ele é falho e humano.

Que busque força na sua fraqueza e poder só o que demanda humanidade.

Que ele saiba andar com suas próprias pernas com a segurança de que, nos primeiros passos, pode contar com seus cuidados, seus conselhos e seu amor.

Nos dias difíceis, muito mais do que você pode dar, sua presença e exemplo cravada no coração é tudo o que vai valer.

Para isso, não existe lei.