Quem paga a conta.

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A Receita Federal deve deixar de arrecadar este ano R$ 242,3 milhões por conta do horário eleitoral gratuito. Isso porque as emissoras de rádio e televisão recebem isenção fiscal para transmitirem a propaganda partidária – que não é paga pelos candidatos e partidos políticos. Para compensar as eventuais perdas das empresas de comunicação, que deixam de receber dos anunciantes nos 30 minutos diários da propaganda, os cofres públicos arcam com o custo e proporcionam aos veículos o benefício da renúncia fiscal.

Nos últimos sete anos, a perda de arrecadação chegou a quase R$ 2,1 bilhões, em valores atualizados, desconsiderados os efeitos da inflação. Quando não há eleições, a isenção tributária para o horário eleitoral continua em vigor, pois mesmo em anos não eleitorais há propagandas institucionais de partidos políticos. Apesar de não ser ano de eleições, a perda de arrecadação de R$ 513,7 milhões no ano passado foi a maior desde 2002. A modalidade de gasto tributário “horário eleitoral” esteve, em 2007, na 14ª posição no ranking de perdas de arrecadação, atrás do Super Simples e do setor automobilístico, por exemplo.

Fonte: Site Contas Abertas

Vampiros de almas coletivas.

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Do Caio Fabio, no seu site.

Desistir do bem é algo muito fácil neste mundo. Quando quem lidera ou tem poder faz o que é mal, os demais perdem o ânimo. Então, o justo, na modéstia de seus passos, vai perdendo o alento. E, aquele que caminha sem tanta convicção, passa a invejar aquele que faz, faz, faz e nunca é punido; antes, é honrado.

Quando o status do cinismo prevalece, as reações são muitas; e sutis. Desde o cinismo que se instala como câncer, à inveja que o ser bom passa a ter do mal-feitor — tudo corre como as torrentes de águas destruidoras.

E o mal se torna tanto pior quanto mais se fale como cordeiro e se haja como o lobo. Daí a perversão do “ético” ser enormemente pior do que a do corrupto; pois destrói todas as referencias.

Isto sem falar nas vozes que olham para os céus e pensam que Deus enlouqueceu com a loucura dos malfeitores; ou que Deus mesmo não se preocupa com tais coisas.

“De que me serve Deus?” — pergunta a alma cansada.

Frequentemente tem-se que escolher entre poderes. E, nesse caso, a eleição para tal escolha deve contemplar, sobretudo, o fortalecimento daquilo que não abisma a alma nacional em estado de cinismo crônico.

E isto vai de atitudes pequenas, no âmbito de nossas vidas pessoais e vai até o Estado.

De onde vem o ânimo para a honestidade quando os que nos lideram mentem e enganam?

O argumento de que ‘rouba mais faz’, aplicado ao Maluf, agora é algo que se aplica em geral. Até em relação ao Lula e Bolsa-Família-no-Bolso. Pode? Até quando?

Eleger um programa de governo para votar, é sábio. Mas não se pode fazer isto à custa da instalação do cinismo na alma nacional. Do contrário, os pobres comerão, mas será comida envenenada pelo sarcasmo. E o pão de hoje será o veneno de amanhã.

Portanto, nem só de pão vive o homem, mas, sobretudo, de dignidade, confiança, respeito, e honestidade.

Entretanto, quem divulga tais causas, não pode brincar de fazê-las menores; e nem tampouco pode fazer como o Conde fez nas disputas com o César Maia há uns quatro anos, quando disse: “Eu minto; mas o César mente mais que eu!”.

Não se governa fazendo avaliação de menos roubo!

O programa Bolsa Família não pode ser Família no Bolso! — o Lula repudiaria isto se o programa não fosse parte de sua estratégia política. E eu sei o que estou falando; e baseado em horas e horas de conversa com ele mesmo no passado.

Sim! O Lula que eu conheci não votaria em si mesmo hoje! — é simples assim.

Isto era contra tudo o que as mentes historicamente mais lúcidas lutavam — até virar populismo eleitoral em favor deles.

Ah! Eu teria centenas de histórias e argumentos, mas, cansado de muitas “viagens”, apenas ouso dizer: “Que Deus nos salve de alimentarmos milhares de famílias, enquanto lhes roubamos as almas e a consciência!”.

Assim como o pão e a Palavra alimentam o homem, do mesmo modo o pão e a dignidade também o fazem!

Enquanto isto… Recolher-me-ei; e buscarei agir pelo não-agir. Quieto. Em oração. Afinal, eu creio que Deus é Deus; e que sobre tudo e todos reina; e que o que sinto é somente o que sinto; e nada, além disso.

Cada um com sua própria consciência e discernimento. Mas Deus é um!

O que não podemos é deixar de discernir o que para nós é vampiro de sangue coletivo. Pois, em trocando beijos com tais entes, nós mesmos passaremos a detestar o nascer do dia, do sol e da luz — visto que nosso ambiente será a penumbra da quase-luz e da quase-treva.

Com todo carinho, reverência e oração por quem pensa e sente diferente

Mais sobre a saida.

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Impressionante como ainda tenho recebido e-mails de gente me perguntando sobre minha saída da rádio Transito.

Na verdade acho que não tenho muito a dizer além do que foi dito.

Trabalhar lá foi muito bom, fico feliz com o carinho de tantos ouvintes, mas não dava mais para mim.

Seja em um trabalho, casamento, amizade ou em qualquer tipo de relacionamento, quando cada um pensa de um jeito melhor seguirem seus caminhos.

No caso da rádio, desde o começo do ano, estava claro pra mim que meu tempo lá estava terminando e a saída me fez muito bem !

Torço pelos amigos que deixei e sigo meu caminho em paz e na certeza de que dei meu melhor.

Foi melhor assim e, quem gosta de mim, pode ficar feliz com isso.

A reunião.

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Texto da minha penultima coluna no site www.tudoradio.com

Dia de reunião de locutores.
Aos poucos vão chegando, dois ou três dão um pulinho no estúdio para conversar com o colega que está no ar, outro aproveita para cumprir a escala de gravação, outros põe o papo em dia enquanto saboreiam um cafézinho.
Paira uma certa expectativa.
Em sua sala, o coordenador de cara amarrada olha para o computador, talvez repassando o que vai ser dito, ou será que só está no “msn”?
Durante minha vida no rádio, já participei de reuniões de todos os estilos:
Aquela onde o coordenador cobra resultado da equipe enquanto justifica seus erros caçando culpados.
Credita a queda de audiência pela falta de sorriso do locutor da tarde ou a má operação da mesa de som por parte do locutor folguista.
Esse tipo gosta de performances, socos na mesa, cara feia, tudo o que lhe de alguma sensação de poder diante de sua evidente incapacidade.
Tem também aqueles que fazem questão de parecer acessíveis.
Costumam usar frases prontas como “A porta da minha sala está sempre aberta” ou “nós somos uma equipe e a opinião de cada um é importantíssima”, mas quando alguém sugere algo, finge anotar, faz cara de interessado, mas só dura o tempo da reunião.
Terminando esquece tudo até chegar a próxima, onde usará o mesmo discurso.
Já viu o vaidoso ? Aquele que faz questão de manter uma imagem de “antenado” e acessível, valendo-se de artifícios como o auxilio de escudo humano: alguem ambicioso, com um pouco mais de atitude para suprir sua sabida falta de conhecimento.
Esse, por sua vez, age como pit bull de quintal que morde todos os que aparentarem lhe desafiar(até ouvintes que criticam a rádio), preservando a imagem “cool” do seu chefe.
Voltando a nossa reunião, chegou a hora.
Todos correm para a sala de reuniões a espera do coordenador.
Dez, quinze, vinte minutos e nada. Quarenta, cinqüenta minutos depois da hora marcada nosso herói aparece com cara de poucos amigos para evitar que alguém reclame do atraso.
Ninguém fala nada.
– Boa noite – ele começa sem falar sobre o atraso- estou aqui com o último Ibope. – Para criar suspense ele faz uma pausa e olha a todos.
Eu queria que alguém me explicasse porque caímos tanto? – pergunta como se não fosse com ele.
Todos quietos.
– A vontade que da é mandar todo mundo embora e contratar uns moleques que estão saindo do curso porque o que vocês estão fazendo ta ridículo. Alguém tem alguma coisa a dizer?
O silencio paira na sala.
– Vocês tem que ficar mais ligados ! Leiam mais, naveguem na internet, vejam a MTV, vão as baladas….Eu só cheguei onde estou porque sempre estive a frente, sempre fui ligado e nunca me conformei com isso…….. – Ele começa a se elogiar.
Nessa hora chega o locutor do horário da manhã, desculpando-se pelo atraso.
Apesar de ter chegado somente cinco minutos atrasado na reunião que começou com atraso de cinqüenta minutos, é repreendido:
– Esse seu atraso demonstra total falta de interesse e respeito pela equipe, isso é indesculpável e, da próxima vez ,será demitido. -Claro que o fato de não mencionar seu atraso de cinqüenta minutos é só um detalhe.
Enquanto fala, todos ficam quietos. Enquanto busca culpados, não chama a responsabilidade. Enquanto inventa causas, não orienta para que a equipe melhore.
Uma hora depois ele encerra a reunião e todos saem com uma tonelada de peso nas costas, piores do que entraram.
Ninguém melhorou, não motivou, não apontou caminhos e ficou uma hora falando só pra transferir sua responsabilidade para a equipe.
No dia seguinte voltam todos inseguros para o ar. Com medo de errar perdem a criatividade.
Sem saber onde estão errando, não melhoram e, como uma bola de neve, a rádio continuará a cair.
Por mais que eu tenha criado essa história, aposto que muita gente já viveu algo parecido.
São cobrados, xingados, humilhados por gente despreparada pensando que, tratando sua equipe como animais, melhorarão.
Se isso acontece com você, não deixe acontecer.
Procure ser melhor, entender as causas do problema para, com sabedoria,calma e educação, apontar claramente onde estão os erros.
Fazendo isso será respeitado.
Se você é um desses carrasquinhos, saiba que isso não é liderar. Formar uma equipe tem a ver com conquistar a admiração, confiança e o respeito de seus liderados e isso se dá com exemplo, trabalho e competência.
Gritar e dar soco na mesa pra garotos amedrontados que só querem manter seu emprego não faz de você melhor, muito pelo contrário, demonstra falta de confiança no seu próprio trabalho e te afasta da posição de respeito que os lideres devem ter.
É claro que no meio disso, felizmente tem gente boa. Profissionais que ainda sabem valorizar sua condição e extrair o melhor da equipe, mesmo que as vezes seja necessário ser mais duro.
Esses estão na frente e conseguem formar verdadeiros times.
Os outros vivem sob a ameaça da instabilidade e, agem como meninos com seus liderados, porque não são respeitados nem por aqueles que lhe deram o cargo.
No rádio existe gente de todos os estilos. Gente boa e nem tanto, sábios e burros, magoados e motivados.
Tenha você posição de comando ou de comandado, procure ser o melhor sabendo que respeito se conquista.
Se as vezes parece difícil, resta o consolo de saber que, no fim das contas, o mercado separa os que são bons dos que só gritam, os que assumem suas responsabilidades dos que caçam culpados, os que sabem pra onde estão indo dos que só andam em circulos.
De que lado você está?

Geração web.

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A geração de usuários da internet nascida depois de 1990 – década da popularização da rede – pode estar crescendo com uma visão perigosa a respeito do mundo e da sua própria identidade, sugere um psicanalista inglês.

Segundo Himanshu Tyagi, a principal causa deste problema seria o fato de que os nascidos nesta época já cresceram em um mundo dominado pela navegação na internet e pelos sites de relacionamento como o Facebook, Orkut e MySpace.
“É um mundo onde tudo se move depressa e muda o tempo todo, onde as relações são rapidamente descartadas pelo clique do mouse, onde se pode deletar o perfil que você não gosta e trocá-lo por uma identidade mais aceitável no piscar dos olhos”, disse Tyagi.
O psiquiatra destaca ainda que as pessoas que se acostumam com o ritmo rápido dos sites de relacionamento podem achar a vida real “chata e pouco estimulante”, o que poderia causar problemas de comportamento.
Tyagi destaca que o anonimato e a falta de experiência sensorial das conversas nestes ambientes virtuais poderia mudar a percepção de interatividade e criar uma visão alterada sobre a natureza dos relacionamentos.