De novo.

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O caso do grampo telefonico entre o presidente do STF e um senador da repuplica, denunciado pela revista Veja dessa semana e com grande repercussão nacional, trás a tona alguns pontos importantes.

Depois da divulgação da conversa, o presidente Lula afastou temporariamente a diretoria da Abin.

Não quero aqui – e não me sinto em condições para tal – levantar suspeitas mas, convenhamos, por se tratar de algo tão sério e arriscado, fica difícil acreditar que não tenha gente “grande” interessada nessas escutas.

Afastar a direção da Abin é um meio de dar satisfação a opinião pública ao mesmo tempo em que, mesmo que indiretamente, culpar a agência.

É claro que agora o presidente pedirá “investigação imediata” a ministra Dilma comparará o episódio com “nazismo” e veremos indignação por todos os lados mas, pense, a quem interessa esse tipo de informação ?

Porque o governo só tem acesso a isso depois do jornalista da Veja ?

Porque só depois que a Veja publica a conversa é que o presidente toma providencias ?

E a CPI dos grampos telefonicos, chegará a algum lugar?

Acho que as respostas você já imagina.

Provavelmente em breve ninguém falará mais nisso e o caso cairá no esquecimento porque criamos no Brasil uma espécie de tolerancia a corrupção.

“São todos corruptos, todos roubam, mas pelo menos esse faz coisas boas também”, pensam. E aí aceita-se toda sorte de comportamento.

No mensalão isso ficou muito claro.

Quase não houve punição- a não ser para dois ou três- e a maioria dos que renunciaram foram re-eleitos.

O problema é que, quando esse tipo de concessão chega a esfera pública, é sinal de que no privado a coisa já desandou há muito tempo.

Só aceitamos aquilo que nos é familiar e no íntimo é acolhido.

É claro que, de imediato, as pessoas reclamam, criticam, mas aceitam. E quando aceitam abrem espaço para que esse tipo de comportamento se cristalize.

Nunca na história desse país tivemos um governo que entende tanto da “alma’ do povo. Que sabe como se comunicar e lida com esses limites e concessões com tanta habilidade.

Assim como o povo, o governo vai gritar, afastar diretores, pedir cabeças mas, no fim das contas, todos sabem, o assunto sairá da pauta e ninguém mais falará nisso.

Até o próximo escândalo.